Mais cedo ou mais tarde acontece: alguém senta na sua cadeira, você olha a unha, o couro cabeludo ou a pele entre os dedos, e pensa "isso aqui não é comigo". O que vem depois é a parte difícil. Como dizer isso sem assustar, sem parecer que você não sabe fazer o seu trabalho, e sem passar a mão por cima só para não criar constrangimento.
Este relatório existe para esse momento. Ele é o único dos cinco que não serve para vender: serve para você decidir com segurança, e ter por escrito o porquê.
O que ela responde
Três coisas, e a ordem importa:
- O que se vê na imagem, descrito sem nomear nada.
- Quando procurar um profissional de saúde, com os sinais que apressam essa decisão.
- O que fazer e o que não fazer no atendimento, enquanto isso.
⛔ E aqui está o coração do relatório, e o que ele nunca faz: ele não nomeia condição nenhuma. Não diz o que a pessoa tem. Nomear é ato de profissional de saúde, e a Belle fica do lado de cá dessa linha, sempre.
Um caso real, do começo ao fim
Para escrever este artigo, geramos uma triagem de verdade. A foto era de pele entre os dedos do pé, avermelhada e descamando. O contexto informado foi: coceira que piora depois do banho, dez horas por dia em pé, sapato fechado o tempo todo, três treinos por semana.
O que a Belle descreveu:
"Região entre os dedos com aspecto avermelhado e pele visivelmente sensibilizada. Descamação intensa, com pele esbranquiçada e aparência esfarelada na dobra entre os dedos. Perda do aspecto uniforme da barreira cutânea, com áreas de pele fina e possíveis pontos de fissura superficial."
E o que ela concluiu, em primeiro lugar, antes de qualquer outra coisa:
"Encaminhamento recomendado AGORA, antes de qualquer procedimento estético: a pele está claramente comprometida e com barreira rompida, o que exige avaliação de um profissional de saúde antes de qualquer serviço de podologia ou pedicure."
Em nenhum momento ela disse o nome do que provavelmente era. Descreveu, encaminhou, e explicou o que fazer enquanto isso. É exatamente o que se espera de uma triagem bem feita.
O que a Belle precisa de você
Neste relatório, o contexto não melhora a resposta: ele muda a resposta.
- Quando começou e o que piora. "Piora depois do banho" e "piora com sapato fechado" apontam para umidade e atrito, e foi isso que organizou todas as orientações do caso acima.
- A rotina de trabalho e de calçado. Dez horas em pé com sapato fechado é fator de risco, e a Belle registrou isso como tal.
- O que a pessoa já usou por conta própria. Muita gente tenta resolver sozinha antes de procurar alguém, e o que foi usado muda o quadro.
- ⚠️ Condições de saúde, e esta é a mais importante de todas. Diabetes, problemas de circulação, perda de sensibilidade nos pés, imunidade baixa e gestação mudam completamente o nível de cautela. No caso real, a Belle escreveu: "atenção redobrada e encaminhamento imediato se a cliente tiver diabetes, problemas circulatórios ou de sensibilidade nos pés, imunidade baixa, estiver gestante ou em tratamento contínuo; nesses casos, nenhum procedimento deve ser feito sem liberação profissional".
Se a sua ficha de anamnese ainda não pergunta sobre diabetes e circulação, este é o motivo para incluir hoje.
O que sai, e o que ele faz por você
O relatório separa, em bloco próprio, o que você pode fazer e o que não fazer. É a parte que mais protege o seu trabalho:
Pode: acolher, escutar e registrar em ficha; explicar o encaminhamento de forma profissional; orientar higiene, secagem e escolha de calçado; registrar com foto autorizada para acompanhar; oferecer um retorno já agendado.
Não pode: "esfoliação, lixamento, remoção de cutícula, corte próximo à área, uso de alicate, lâminas ou espátulas na região comprometida"; escalda-pés e imersões demoradas; ácidos, óleos essenciais puros e receitas caseiras; e, com todas as letras, "não emprestar nem sugerir medicamentos; não afirmar o que a cliente tem".
Tem ainda um alerta que vale por si: "não usar os mesmos materiais em outra cliente sem esterilização adequada; reforce descarte de lixas e materiais porosos e esterilização rigorosa dos metálicos".
A quem interessa
- Podologia, onde o encontro com condição de saúde é rotina e não exceção.
- Manicure e pedicure, pelas unhas e pela pele ao redor.
- Terapia capilar e tricologia estética, pelo couro cabeludo.
- Estética facial e corporal, sempre que aparece algo que não parece cosmético.
- Quem atende público idoso ou com diabetes, onde a régua de cautela é outra.
Como usar
- Antes de tocar. Quando bate a dúvida, a triagem vem primeiro. Depois do procedimento ela não serve para nada.
- Como apoio da conversa difícil. Dizer "hoje não" com um documento na mão é muito diferente de dizer "hoje não" no olho. O documento tira o peso pessoal da recusa.
- Como ponte, e não como porta fechada. O relatório já sugere reagendar quando a pele estiver íntegra. Você não perde a cliente: você marca o retorno dela.
O limite, que aqui é o produto
Nos outros relatórios o aviso de não diagnóstico é um cuidado. Aqui ele é a função. A Belle fecha com: "esta é uma triagem estética preliminar e educativa, feita a partir de uma foto e do relato da cliente. Não constitui diagnóstico, avaliação clínica ou indicação de tratamento, e não substitui a consulta com um profissional de saúde".
É essa frase que permite que o documento exista, circule e seja útil.
A foto certa
- Perto, com foco na área. Diferente dos outros relatórios, aqui o enquadramento é a região, não a pessoa.
- Luz natural e boa iluminação lateral, para o relevo aparecer.
- Mais de um ângulo, quando possível.
- Sem esmalte, sem creme e sem produto recém-aplicado, que mudam cor e brilho.
- Sempre com autorização. Foto de área do corpo é dado sensível, e o consentimento vem antes da foto.
Voltar para a apresentação da Belle e dos cinco relatórios.
