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O que atrai numa vitrine online: como montar a sua para a pessoa parar, olhar e marcar

Na rua, ir embora dá trabalho. Na internet, é um movimento de dedo. Por isso cada etapa da sua vitrine precisa ser conquistada.

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Pense na última vez que você parou na frente de uma vitrine sem ter a menor intenção de comprar nada.

Alguma coisa te fez parar. Depois alguma coisa te fez olhar mais de perto. Aí você imaginou aquilo em você, ou na sua casa, ou na sua bancada. E, se a loja tivesse feito bem a última parte, você entrou.

Isso não foi sorte da loja. É a mesma sequência, sempre, em qualquer vitrine que funciona: parar, olhar, querer, agir. Quem estuda propaganda há mais de cem anos deu um nome a ela, e vale conhecer: AIDA, de atenção, interesse, desejo e ação. É um dos modelos mais antigos e mais úteis que existem, e ele descreve o que acontece na cabeça de quem passa, na ordem em que acontece.

Só que a sua vitrine é online, e isso muda tudo

Aqui está a parte que quase ninguém leva a sério o suficiente, e é a mais importante deste texto.

Na rua, ir embora dá trabalho. A pessoa já estacionou, já andou até ali, está com a amiga, é a única loja do tipo naquela esquina. Mesmo sem se encantar, ela às vezes entra, porque sair custa alguma coisa.

Na internet, ir embora é um movimento de dedo. Não custa nada. Não tem constrangimento, não tem estacionamento, não tem "já que estou aqui". E não existe uma única loja na esquina: existem outras trinta na mesma tela, a um centímetro de distância, todas prontas para receber a mesma pessoa.

Ou seja: na vitrine online, não entrar é muito mais fácil do que entrar. É o caminho natural, é o que acontece se você não fizer nada. Por isso cada uma das quatro etapas precisa ser conquistada, e a primeira delas tem uns dois segundos para acontecer.

A boa notícia é que isso não depende de dinheiro, depende de cuidado.

As quatro coisas, na ordem em que acontecem

1. Parar. É o trabalho da primeira imagem. Ela não precisa explicar nada, precisa fazer o dedo parar de rolar a tela. Foto escura, tremida ou com bagunça no fundo não faz ninguém parar, por melhor que seja o trabalho que está nela.

2. Olhar. Quem parou vai procurar entender o que é aquilo. Aqui entram as outras fotos, o vídeo curto, a legenda que diz o que é. Se a pessoa não entende em cinco segundos o que ela está vendo, ela vai embora e não volta.

3. Querer. É a parte que quase todo mundo pula. Querer não nasce da foto do seu material nem do seu diploma: nasce da pessoa se ver ali. Por isso o resultado no rosto de alguém vale mais do que o pote do produto, e por isso o depoimento de uma cliente vale mais do que dez adjetivos seus.

4. Agir. É dizer, com todas as letras, o que fazer agora. "Toque em agendar e escolha o seu horário" é um convite. "Chama no direct" é um obstáculo, porque joga o trabalho para a pessoa. Vitrine linda sem porta é museu.

A sua vitrine tem três partes: a Beauty, o Set e o Portfólio

Na BeautySet a vitrine se monta em três lugares, e é bom guardar os três, porque a pessoa passa por todos na mesma visita. Eles respondem a três perguntas diferentes: quem faz, onde, e o quê.

A Beauty é você. É o seu perfil: a capa larga com a sua chamada em cima, a sua foto, quem você é e para quem você trabalha, e a sua galeria de fotos e vídeos, cada um com uma legenda curta. É a parte que faz parar e começa a fazer querer, porque quem contrata beleza, saúde e bem-estar contrata uma pessoa antes de contratar um serviço.

O Set é a sua loja. É o lugar onde você atende, com as fotos e os vídeos dele: a sala, a cadeira, a bancada, a recepção, a vista da janela. É o que responde à pergunta silenciosa que toda cliente nova faz, que é "como vai ser quando eu chegar lá". Um Set bem mostrado tira o medo do desconhecido, e medo do desconhecido é o que faz a pessoa adiar.

O Portfólio é o que você faz. Cada serviço e cada produto, com as próprias fotos, o próprio texto e o próprio botão de agendar ou comprar. É aqui que a pessoa age. Item sem foto some no meio dos outros, e item sem texto obriga a pessoa a adivinhar, e ninguém marca horário com uma adivinhação.

Não adianta caprichar em um e abandonar os outros dois. A capa linda leva a pessoa até um Portfólio vazio, o Portfólio caprichado sem Set nenhum deixa a dúvida de onde é aquilo, e o Set bonito sem a sua cara vira uma sala sem dono.

Como fazer uma boa foto com o celular que você já tem

Não compre nada. Sério. A câmera do seu celular é melhor do que a maioria dos equipamentos de dez anos atrás, e o que separa uma foto boa de uma foto ruim quase nunca é o aparelho.

Luz é tudo, e a melhor é de graça. Chegue perto de uma janela, com a luz do dia entrando. Coloque a pessoa (ou a mão, ou o cabelo, ou o rosto) virada para a janela, e você fique de costas para ela. A luz bate no que importa e o resultado muda tanto que parece outro celular.

Cuidado com a luz por trás. Quando a janela fica atrás do que você está fotografando, o celular ajusta pela parte clara e escurece o resto: é a foto em que aparece só a silhueta escura. Isso se chama contraluz. Ele estraga a foto do trabalho, e por outro lado faz fotos bonitas quando é de propósito, para dar um contorno de luz no cabelo, por exemplo. Só não use por acidente.

A pior luz é a do teto. Aquela lâmpada bem em cima cria sombra embaixo dos olhos e amarela tudo. Se for o único jeito, desligue e vá para perto da janela, mesmo que precise puxar a cadeira.

Olhe o fundo antes de olhar o assunto. Metade das fotos ruins não tem problema nenhum na frente: tem uma toalha jogada, uma sacola, um fio de tomada, uma pia com coisas. Escolha um canto seu e deixe ele limpo. Uma parede lisa já é cenário.

Limpe a lente. Parece bobagem, e é a causa mais comum de foto embaçada. O celular passa o dia no bolso e na bolsa.

Chegue perto com o corpo, não com o zoom. O zoom do celular perde qualidade. Dois passos à frente não perdem nada.

Tire muitas. Dez fotos do mesmo detalhe, mudando um pouco o ângulo. Depois você escolhe uma. Ninguém acerta de primeira, nem quem faz isso para viver.

E o vídeo, que hoje segura mais o olhar do que a foto

Curto. De dez a vinte segundos já conta uma coisa inteira. Vídeo de dois minutos ninguém termina.

Mostre a mão trabalhando. O gesto do seu trabalho é o que prende: a pinça colocando o fio, o pincel espalhando, a massagem, a lixa contornando a unha. É a parte que a pessoa não vê em foto nenhuma.

Apoie o celular em alguma coisa. Uma pilha de livros, um copo, a parede. Vídeo tremido cansa em três segundos.

Grave em pé, na vertical. É assim que a pessoa vai assistir.

Escreva o que está acontecendo. Muita gente assiste sem som, no ônibus, na sala de espera, do lado de alguém dormindo. Uma frase curta na tela resolve.

"Mas eu não tenho cliente ainda"

Essa é a hora em que a maioria trava, e é uma trava falsa. Toda jornada de sucesso que existe hoje começou do zero ontem, sem nenhuma foto, com a mesma dúvida que você está tendo agora.

O que fazer, na prática:

Faça permuta. Ofereça o serviço sem cobrar, ou por um valor simbólico, para quem topar aparecer nas fotos. Combine antes que as imagens serão usadas no seu trabalho: isso é um acordo justo, e muita gente aceita na hora.

E deixe combinado por escrito, que é melhor para os dois lados. Isso não precisa ser um documento assustador, e você não precisa escrever nada: aqui na BeautySet existe um modelo pronto de autorização de uso de imagem, redigido por advogado. Você abre a área de Contratos, escolhe o modelo, preenche o nome da pessoa e manda para ela aceitar com assinatura, sem imprimir nada.

Vale a pena entender o que esse documento faz, porque ele protege as duas. Ele diz exatamente onde as imagens podem aparecer, que é na sua vitrine, nas suas redes e no seu material impresso, e em nenhum outro lugar. Diz por quanto tempo. Diz se foi de graça ou em troca do serviço, que é o caso da permuta. E garante que a pessoa pode voltar atrás quando quiser, e você tira do ar. É esse conjunto que transforma um "ela deixou" numa combinação de verdade.

Se quem aparece na foto tem menos de 18 anos, a autorização é de quem responde por ela, e não da criança. O modelo avisa isso.

Comece pela sua casa. Mãe, irmã, prima, vizinha, a amiga do trabalho antigo. Não tem nada de errado nisso, é exatamente assim que quase todo mundo começou.

Faça em você. Muita coisa dá para fazer em si mesma e fotografar, principalmente unha, sobrancelha, maquiagem e cuidado com a pele.

Fotografe o que não é gente. A sua bancada arrumada, os seus materiais, o esmalte na cor da estação, a embalagem que você monta, o antes e o depois de um objeto. Isso mostra o seu cuidado, que é justamente o que a pessoa está tentando adivinhar.

Quando a cliente não autoriza a imagem

Acontece, e a resposta é sempre a mesma: respeite, e não use. Ninguém precisa justificar por que não quer aparecer.

Peça a autorização antes, por escrito, nem que seja uma mensagem no celular dizendo que ela concorda que a foto seja usada no seu trabalho. Guarde. É simples e evita uma dor de cabeça enorme depois.

E existe um caminho no meio, que funciona muito bem: fotografe só a parte do trabalho, sem o rosto. Mãos, unhas, mecha de cabelo, sobrancelha em primeiro plano, detalhe da pele. A pessoa continua anônima e o seu trabalho aparece inteiro.

Se você é de uma área de saúde, como odontologia, fisioterapia ou dermatologia, confira as regras de publicidade do seu conselho antes de publicar antes e depois. Elas existem, são diferentes das da beleza, e é melhor saber agora do que depois.

Não sabe por onde começar? Peça ajuda

Ninguém nasce sabendo compor uma foto, e isto não é talento, é repetição.

Peça para alguém segurar o celular enquanto você trabalha, porque as suas duas mãos estão ocupadas justamente na hora mais interessante. Veja vídeos de quem ensina a fotografar com celular, que estão de graça em qualquer lugar. Olhe vitrines de gente que você admira e repare no que elas fazem, não para copiar, mas para entender por que aquilo funcionou em você. E leia os outros conteúdos aqui na BeautySet, que é para isso que eles existem.

Depois experimente do seu jeito. A vitrine que parece com você é a que traz a cliente que combina com você.

Por onde começar hoje, se você só tiver meia hora

Escolha um canto da sua casa com uma janela. Limpe o que aparece no fundo. Limpe a lente do celular. Fotografe um trabalho seu, de três ângulos diferentes, dez fotos de cada. Escolha as três melhores.

Coloque a melhor na capa do seu perfil, escreva uma chamada curta dizendo o que você faz e para quem, e ponha as outras duas na galeria com uma legenda cada. Depois fotografe o canto onde você atende e ponha no seu Set. Por último, abra um item do seu Portfólio e dê a ele uma foto e um texto de três linhas.

Se você só puder cuidar de uma coisa hoje, cuide da capa: é ela que decide se a pessoa fica ou vai para a próxima.

Pronto: você acabou de montar uma vitrine que faz parar, olhar, querer e agir. Amanhã você melhora uma coisa. Depois outra.

E se você não é da área

Se você leu até aqui e não trabalha com beleza, saúde ou bem-estar, e nem pretende, existe uma atividade simples ao seu alcance, e ela vale mais do que parece.

É praticamente certo que você conhece alguém que vive disso: a pessoa que faz a sua unha, que corta o seu cabelo, que cuida da sua pele, uma prima, uma amiga, a vizinha que começou agora. Manda este texto para ela. Leva dez segundos e pode ser exatamente a coisa que estava faltando para ela destravar a vitrine dela.

Este texto também pode ser ouvido, na velocidade que você preferir, no botão de escutar aqui em cima. Dá para deixar tocando enquanto você arruma a bancada.

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