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O que perguntar antes de colocar as suas clientes num aplicativo

Sete perguntas de dez minutos que evitam a troca às pressas seis meses depois, incluindo as duas que quase ninguém faz.

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Escolher um aplicativo para o seu negócio parece uma decisão pequena, do tipo que se resolve baixando e testando. Só que nesse aplicativo vão morar o nome, o telefone e o histórico das suas clientes, os seus horários e, em muitos casos, o seu dinheiro. Trocar depois dá trabalho, e trocar às pressas costuma custar cliente. Vale gastar dez minutos com sete perguntas antes, em vez de descobrir a resposta seis meses depois.

1. O grátis é grátis, ou é grátis por sete dias?

São coisas muito diferentes e quase sempre aparecem escritas do mesmo jeito. Grátis por sete dias é uma demonstração: no oitavo dia, ou você paga, ou perde o acesso ao que já cadastrou. Plano grátis de verdade é aquele em que você pode ficar para sempre, com menos recursos, sem prazo correndo.

A pergunta prática: se eu não pagar nada no mês que vem, o que acontece com a minha agenda e com a minha lista de clientes? Se a resposta for "some" ou "trava", você não está diante de um plano grátis, está diante de um empréstimo.

2. Os dados são meus? Consigo levar embora?

Essa é a pergunta que quase ninguém faz e que mais dói depois. Você vai passar meses alimentando aquele sistema com o telefone e o histórico de cada cliente. Se um dia quiser sair, dá para exportar essa lista num arquivo, ou ela fica presa lá dentro?

Ferramenta que não deixa exportar não está guardando o seu dado, está segurando você. E vale conferir isso no começo, quando a lista tem dez nomes, e não quando tem quatrocentos.

3. Quem paga a taxa quando a cliente paga?

Muita plataforma de agendamento vem junto com uma forma de receber, e é aí que aparece o custo que não estava na propaganda. Uma taxa de cinco por cento em cada atendimento não parece nada quando você lê. Num faturamento de seis mil por mês, são trezentos reais saindo, todo mês, para sempre.

Pergunte de forma direta: quanto fica de cada cem reais que a minha cliente paga? E compare com o que você faria recebendo por PIX direto na sua conta, que é de graça.

4. Funciona no celular, de verdade?

Não é sobre existir uma versão de celular. É sobre você conseguir marcar um horário com a cliente na sua frente, com o esmalte secando, sem procurar botão. Faça o teste antes de decidir: cadastre uma cliente e marque um horário, cronometrando. Se levar mais de um minuto, você não vai usar no corre do dia, e a agenda vai voltar para o caderno.

5. Se eu tiver um problema, falo com quem?

Procure o canal de ajuda antes de precisar dele. Existe alguém que responde, ou só uma central de perguntas e respostas? Responde em quanto tempo? Responde em português, de gente, ou em manual técnico?

Um sistema que some quando dá problema é pior que caderno, porque o caderno pelo menos não trava na sexta à noite com a agenda cheia.

6. A ferramenta é feita para o meu tipo de trabalho?

Agenda de salão com quatro cadeiras é diferente de agenda de quem atende em casa, que é diferente de quem vai até a cliente. Quem trabalha com cílio precisa de manutenção marcada em vinte dias. Quem faz limpeza de pele precisa de ficha de anamnese. Quem vende produto precisa de estoque.

Uma ferramenta genérica atende todo mundo pela metade. Antes de escolher, liste as três coisas que mais tomam o seu tempo hoje e veja se a ferramenta resolve essas três, e não outras três bonitas que você nem usa.

7. Quem está do outro lado escuta?

Essa é menos óbvia e vale muito. Ferramenta boa muda com o uso. Se você avisar que uma tela está confusa, isso chega em alguém? Já aconteceu de mudarem algo porque alguém pediu?

Plataforma que escuta melhora no ritmo de quem usa. Plataforma que não escuta melhora no ritmo de quem investe, e nem sempre é a mesma direção.

Um jeito de decidir sem se enrolar

Escolha duas ferramentas, não cinco. Em cada uma, faça o mesmo teste de vinte minutos: cadastre três clientes de verdade, marque dois horários, cancele um e veja o que a cliente recebe. Depois responda as sete perguntas acima com o que você viu, e não com o que estava escrito na página de vendas.

No fim, o critério que mais importa é bem simples: no dia mais corrido do mês, essa ferramenta vai me ajudar ou vai me atrapalhar? Se a resposta demorar a chegar, é porque ainda não é ela.

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