Você sabe quantos negócios de beleza, saúde e bem-estar existem num raio de mil metros da sua porta? Quantos deles abriram no último ano? Quantos já fecharam? E quantas pessoas atendem ali sem ter empresa aberta?
Quase ninguém sabe, e não é por falta de curiosidade. É porque essa informação existe, é pública, e vive num formato que ninguém abre: são milhões de linhas do cadastro de empresas da Receita Federal, cada uma com um código de atividade, uma data de abertura, uma situação e um endereço. Está tudo lá, e continua invisível.
A gente organizou isso por endereço e abriu de graça, sem pedir cadastro. Este texto é sobre o que aparece quando a pergunta deixa de ser sobre o Brasil e passa a ser sobre a sua rua.
A média do Brasil não descreve a rua de ninguém
Já publicamos aqui o retrato nacional: de tudo que já abriu no setor no Brasil, 43,3% está fechado hoje. É um número duro e verdadeiro, e ele tem um limite que costuma passar batido. Média nacional não descreve lugar nenhum em particular, do mesmo jeito que a temperatura média do país não diz se você precisa de agasalho.
Veja o que acontece quando a mesma conta é feita por endereço, dentro de uma única cidade. Belo Horizonte, dois pontos separados por cerca de doze quilômetros, o mesmo raio de mil metros em volta de cada um:
- Em volta da Praça Sete, no centro (CEP 30130-000): 6.183 negócios abertos hoje, e 41,7% de tudo que já abriu ali está fechado.
- Em volta do centro de Venda Nova (CEP 31610-000): 702 negócios abertos, e 57,7% de tudo que já abriu ali está fechado.
Dezesseis pontos de diferença na mesma cidade, no mesmo ofício, com a mesma economia e a mesma cliente. E a diferença aparece de novo quando se olha o país: num raio de três quilômetros do centro de Manaus, 69,3% do que já abriu está fechado. Nenhuma dessas realidades cabe na frase "o setor fecha 43%".
Ou seja: a média do Brasil não descreve a sua cidade, e a média da sua cidade não descreve o seu bairro. A informação que serve para decidir alguma coisa é a do raio em volta de você.
Os números que aparecem, e o que cada um muda na sua decisão
Número que não muda uma decisão é curiosidade. Estes mudam, e vale ir um por um. Para deixar concreto, usamos um exemplo real: um raio de mil metros em volta da Savassi, em Belo Horizonte. Quem digitar o CEP 30112-000 e escolher mil metros vê exatamente os números abaixo, e é para isso que eles estão aqui.
1. Quantos negócios existem ali
São 2.575 com CNPJ. Esse número responde a uma pergunta que quase toda beauty responde por sensação: "tem muita gente fazendo isso aqui?". A sensação vem de quem você vê no Instagram, e o Instagram mostra quem posta, não quem existe.
O que isso muda: praça cheia não é motivo para desistir, é motivo para parar de competir por preço. Onde existem centenas de opções a poucas ruas, quem tenta ser a mais barata entra na única disputa que o negócio pequeno não ganha. A saída é ser a mais clara sobre o que faz, para quem, e por quê.
2. Quantos abriram nos últimos doze meses
São 557, ou seja: um em cada cinco negócios abertos hoje naquele quilômetro nasceu no último ano. É uma praça em movimento, não um mercado assentado.
O que isso muda: onde entra muita gente nova, a cliente é constantemente convidada a experimentar outro lugar. Isso não se resolve com anúncio, se resolve com motivo para voltar: lembrete antes da data, o registro do que foi feito na última vez, o retorno marcado ainda na cadeira.
3. Quantos estão ali há cinco anos ou mais
São 892, pouco mais de um terço. Dito de outro jeito: dois de cada três negócios abertos naquele quilômetro têm menos de cinco anos.
O que isso muda: esses 892 são a informação mais barata que existe na sua praça. Atravessaram tudo o que você está atravessando, na mesma calçada, com o mesmo aluguel. Não é para copiar preço, é para observar o que eles fazem que quem fechou não fazia.
4. Quanto do que já abriu ali está fechado
Naquele raio, 5.094 negócios já abriram ao longo da história, e 2.519 estão fechados, o que dá 49,5%. Seis pontos acima da média nacional.
O que isso muda: expectativa e reserva. Uma praça que fecha metade do que abre não é lugar para entrar sem colchão. A conta que salva o primeiro ano não é a do faturamento sonhado, é a do custo fixo de três meses guardado antes de abrir.
5. De que tipo são os negócios abertos
No mesmo quilômetro: 414 de cabelo, manicure e pedicure, 286 de estética e cuidados com a beleza, 286 de odontologia, 113 de fisioterapia, 114 lojas de cosméticos, e assim por diante.
O que isso muda: é aqui que se vê o que a rua já tem demais e o que ela não tem. Uma lista dessas costuma responder melhor "qual serviço eu coloco no meu portfólio agora" do que qualquer pesquisa de tendência, porque tendência é nacional e cliente é de bairro.
6. E quem atende sem CNPJ
Aqui não existe contagem, existe estimativa, e estimativa honesta é uma faixa e não um número exato. Aplicando a taxa de informalidade do trabalho no Brasil (38,1%, IBGE, PNAD Contínua) e a taxa medida entre quem empreende (61%, pesquisa CNDL e SPC Brasil), o mercado real daquele quilômetro fica entre 4.160 e 6.603 negócios, contando quem trabalha sem empresa aberta. Contra 2.575 com CNPJ.
O que isso muda: o bolo é maior do que o cadastro mostra, e a sua concorrência de preço, na prática, inclui muita gente que não tem custo de formalização. Isso não é motivo para você também não ter, é motivo para saber com o que está competindo e não achar que o problema é você.
A comparação que mais ensina: a mesma rua, profissões diferentes
Ainda no mesmo quilômetro da Savassi, agora separando quanto já fechou dentro de cada profissão:
- Cabelo, manicure e pedicure: 58,6% do que já abriu está fechado.
- Estética e cuidados com a beleza: 57,0%.
- Odontologia: 33,9%.
- Fisioterapia: 24,7%.
Mesma calçada, mesmo aluguel, mesma cliente passando na porta, e uma distância de quase trinta e quatro pontos entre a primeira linha e a última. A diferença não é talento e não é esforço: uma esteticista trabalha tão duro quanto uma dentista, e costuma atender mais gente por semana.
A diferença é preparo para tocar um negócio. Quem passa por uma faculdade regulamentada recebe, junto com a técnica, alguma noção de custo, de preço, de responsabilidade legal e de agenda, e entra num sistema com regras claras. Quem se forma num curso técnico excelente de três meses recebe a técnica e é despachada para o mercado com um celular e um pote de creme.
Isso a gente já tinha medido no país inteiro. O que muda aqui é a escala: a diferença não está numa tabela nacional, ela cabe dentro de um quilômetro, entre vizinhas que se cumprimentam.
O que estes números NÃO dizem
Análise honesta declara os próprios limites, então estes são os nossos, e vale ler antes de tirar conclusão:
- A Receita registra a baixa, nunca o motivo. A base diz que um CNPJ foi encerrado, e não diz por quê. Então quem está acima da média não fez nada errado, e quem está abaixo não tem garantia nenhuma.
- Fechar CNPJ não é sempre sonho fracassado. Tem quem encerre um registro para abrir outro, quem saia do MEI para uma empresa, quem feche a formalização e siga atendendo. É sinal forte, não sentença.
- A conta é acumulada, não anual. Estamos comparando tudo que já abriu com o que segue aberto. Serve para comparar ruas e profissões entre si, e não serve para dizer "tantos por cento quebram por ano".
- Quem não tem CNPJ não está na contagem. Aparece só na estimativa, e a estimativa é grosseira de propósito.
- O ponto de partida é o centro do seu CEP, que não é exatamente a sua porta. Por isso o pino pode ser arrastado no mapa: em rua comprida, isso muda o resultado.
O que fazer com isso na segunda-feira
Três perguntas que este retrato responde e que costumam mudar uma decisão de verdade:
- A sua rua está acima ou abaixo da média do Brasil? Se está acima, a sua reserva precisa ser maior que a da vizinha, e não igual.
- A sua profissão fecha mais ou menos que as vizinhas dela? Se fecha mais, o que falta quase nunca é técnica: é preço calculado, agenda organizada e dinheiro controlado.
- O que a sua rua não tem? Compare a lista de tipos de negócio com o que você sabe fazer e ainda não oferece. Costuma haver um serviço óbvio ali.
Como ver a sua
É público, é de graça e não pede cadastro nenhum: em beautyset.com.br/mercado/vizinhanca você digita o seu CEP, escolhe a distância e vê os números da sua rua. Funciona em qualquer lugar do país. A conta acontece no seu navegador, o CEP não é guardado, e nenhum negócio aparece com nome nem endereço: o mapa mostra onde eles se concentram, nunca quem são.
Vale comparar dois ou três raios, porque a leitura muda: mil metros é a sua vizinhança de verdade, e cinco quilômetros já é outra coisa, é a região que uma cliente atravessa quando gosta muito.
E se você quiser ir além do retrato, a BeautySet é a plataforma de quem empreende em beleza, saúde e bem-estar: portfólio digital, agenda com link de reserva para a cliente marcar sozinha, controle do dinheiro e vitrine. Criar a conta é de graça, e lá dentro você vê o que cada plano inclui, inclusive o acompanhamento desta vizinhança ligado ao seu negócio.
Fonte dos números: cadastro de empresas da Receita Federal, dados abertos, referência de julho de 2026, nas doze atividades de beleza, saúde e bem-estar que a BeautySet acompanha. Estimativa de informalidade: IBGE, PNAD Contínua, e pesquisa CNDL com SPC Brasil. Os números deste texto foram apurados em 13 de agosto de 2026 e podem ser reconferidos na página da vizinhança.
