Existe uma conta que quase ninguém faz e que muda a forma de olhar para o próprio negócio. Ela não pede planilha, não pede curso de finanças e cabe em cinco minutos com o celular na mão. É a conta da sua hora: quanto o seu tempo de trabalho realmente vale hoje, depois de tudo o que você faz e de tudo o que você paga.
Por que o total do mês engana
Quando o mês fecha, a primeira coisa que a gente olha é quanto entrou. Entraram quatro mil reais, o mês foi bom. Entraram dois mil, o mês foi fraco. O problema é que esse número sozinho não diz nada sobre o seu negócio, porque ele não conta quanto da sua vida foi preciso gastar para chegar ali.
Dois meses podem fechar com o mesmo valor e serem completamente diferentes. Num deles você atendeu vinte clientes tranquilas, saiu no horário e ainda sobrou sábado. No outro você emendou atendimento, respondeu mensagem até meia noite e chegou no dia 30 exausta. O total é igual, a sua hora não é.
A conta, do jeito mais simples possível
Pegue tudo o que entrou no mês passado. Divida pelas horas que você trabalhou de verdade. Pronto, esse é o valor da sua hora.
O detalhe que muda o resultado está em "de verdade". Trabalhar não é só o tempo com a cliente na cadeira. É também:
- a hora no atacado comprando material;
- a hora limpando a sala depois do último atendimento;
- as mensagens respondidas no sofá, à noite, combinando horário;
- o tempo montando o post, escolhendo a foto, escrevendo a legenda;
- a ida ao banco, a nota, a conversa com a fornecedora.
Nada disso aparece na agenda, mas tudo isso é trabalho. Se você tirar essas horas da conta, o número final vai mentir para você, e vai mentir para melhor, que é o pior tipo de mentira quando se trata de dinheiro.
Exemplo: entraram 4.000 reais e você trabalhou 200 horas no mês. A sua hora vale 20 reais.
Vinte reais a hora. Agora esse número tem serventia: dá para comparar, dá para decidir, dá para negociar consigo mesma.
O que costuma aparecer quando a conta fica pronta
Muita gente descobre nessa hora que o serviço que ela mais faz é justamente o que menos paga por hora. Não porque o serviço é ruim, e nem porque a cliente é ruim. É porque ele toma três horas, ocupa o horário nobre da semana e cobra o preço de um serviço de uma hora.
Repare que o problema aqui não é o preço isolado. É a combinação de preço, tempo e lugar na agenda. Um serviço de 150 reais que leva uma hora rende 150 por hora. Um de 300 que leva quatro horas rende 75. O de 300 parece o carro chefe, aparece maior no extrato, dá orgulho de postar, e mesmo assim é o que sustenta menos o seu mês.
É por isso que aumentar preço nem sempre é a resposta. Às vezes a resposta é encurtar o tempo do procedimento, cobrar o material à parte, mudar o serviço de dia, ou simplesmente parar de oferecer aquilo na terça à tarde, que é quando a agenda enche sozinha.
Três coisas para fazer com o número, sem virar o negócio do avesso
- Liste os seus serviços e calcule quanto cada um rende por hora, não por atendimento. Pegue o preço, divida pelo tempo total que ele consome, incluindo preparar a sala e limpar depois.
- Olhe quem está no fim da lista. Esse é o candidato natural a ajuste: de preço, de tempo, ou de posição na agenda. Não precisa mexer em tudo, mexa em um.
- Proteja o seu melhor horário para o serviço que rende mais. Horário nobre é recurso escasso, igual vitrine de loja. Ninguém coloca o produto de menor giro na vitrine.
E se o número vier baixo?
Vem baixo mesmo, na primeira vez, para quase todo mundo. Não é sinal de fracasso, é sinal de que a conta estava sendo feita de cabeça, e cabeça arredonda para cima. O valor da sua hora é um retrato do ponto de partida, não uma nota sobre o seu trabalho.
A boa notícia é que ele sobe por caminhos que não dependem de cobrar mais caro. Reduzir o tempo ocioso entre atendimentos sobe. Diminuir o retrabalho sobe. Fazer a cliente voltar, em vez de conquistar uma nova toda vez, sobe muito, porque cliente que volta custa uma mensagem, e cliente nova custa anúncio, desconto e explicação.
Faça essa conta hoje, mesmo no papel
Não espere ter sistema, planilha bonita ou tempo livre. Pegue o extrato do mês passado, chute as horas com honestidade e faça a divisão. O número aproximado que você tiver em cinco minutos vale mais do que o número perfeito que você faria em um mês que nunca chega.
Depois, se quiser parar de fazer isso no papel, o Financeiro da BeautySet faz essa conta sozinho, a partir dos seus lançamentos e do tempo dos seus serviços na agenda. Você lança o que entra e o que sai, marca a duração de cada atendimento, e o valor da sua hora aparece atualizado, serviço por serviço.
Mas o app é o depois. O agora é a conta. Faça hoje e guarde o número: daqui a três meses, refaça. A diferença entre os dois é o retrato mais honesto do seu progresso que existe.
